*** Tudo o que fizermos, para o bem ou mal, a nós retornará triplicadamente e nesta encarnação. ***

Como Lidar Com o Preconceito Contra a Wicca

terça-feira, 10 de abril de 2012

Por Lugh

Um dos assuntos que mais tenho visto em discussão entre as pessoas que buscam começar uma prática wiccaniana, e até entre as que já são wiccanianas há tempos, é o modo de lidar com os preconceitos que adeptos de outras religiões têm contra o paganismo.

Os incidentes são de vários tipos e acontecem seja no âmbito da família, trabalho, escola e nos mais variados grupos sociais. Na maior parte das vezes, as pessoas que nos discriminam seja com palavras, seja com ações, não conhecem nossa religião. São vítimas do grande golpe de marketing da Igreja Cristã quando teve que derrotar as religiões pagãs da Europa e criou o engodo de que as coisas sagradas de nossa religião eram "o demônio" de sua própria crença.

E esse medo infligido de propósito pelos sacerdotes cristãos que "demonizaram" as práticas pagãs, apenas para que o povo as deixasse de lado, subsiste até hoje na crença de que transamos com o demônio, matamos criancinhas ou fazemos malefícios só pra nos divertir, porque somos "a pura maldade encarnada".

Reconhecer que historicamente a Igreja Cristã fez isso não deve nos tornar seus inimigos hoje, nem busca alimentar preconceitos, mas temos que saber o que houve para podermos hoje ser aceitos como membros de uma religião que merece tanto respeito quanto qualquer outra. Como sempre digo: Wicca não é melhor, nem pior, do que outra religião qualquer, é apenas a que nós escolhemos.

O QUE DIZER AOS DESINFORMADOS

Bem, quando encontramos pessoas que pensam assim, minha primeira recomendação é PACIÊNCIA. Elas são vítimas de uma desinformação que perdurou muitos séculos, e elas não nos compreenderão da noite para o dia. Creio que, se essas pessoas forem acessíveis a um diálogo com vocês, seja nosso DEVER tentar explicar a ela que nossa religião é apenas diferente da dela, mas não necessariamente antagônica.

Na verdade, como toda religião, a nossa busca a harmonia pessoal e coletiva e o aperfeiçoamento individual. Creio que esse é o primeiro ponto que vocês devem abordar. E como a maioria das pessoas que encontramos e que nos discriminam na sociedade brasileira são cristãs, então, devemos explicar-lhes que apenas não somos cristãos, embora não sejamos anti-cristãos. Isso é muito importante e uma vez que a pessoa escute e compreenda que também buscamos muitos dos ideais cristãos como paz, amor, harmonia, equilíbrio, respeito aos outros e bem estar para todos, então, elas se abrirão melhor a uma conversa mais profunda sobre nossa religião.

Depois desse diálogo inicial, a melhor coisa é mostrar aos cristãos (ou adeptos de outras crenças, mas que também terão referenciais cristãos por terem nascido no maior país católico do mundo) as similitudes entre nossas celebrações da Roda do Ano e as Festas Cristãs- Páscoa e Ostara e Yule e Natal são as mais evidentes. Normalmente a reação das pessoas será de surpresa, mas a maioria aceitará bem essas comparações e começará a compreender que algumas coisas da religião deles é oriunda das raízes da nossa.

Explique que celebramos os ciclos da Lua e do Sol, que são a base de nossa religião. Explique o conteúdo comum de um ritual: que não fazemos sacrifícios animais (muito menos humanos), que não acreditamos nem que o tal "Sr. Diabo" exista, muito menos o cultuamos, que nossos atos são controlados por nossa crença na Grande Teia e que tudo o que fazemos nos afeta e temos muito maior noção do que não devemos fazer do que se apenas tivéssemos dez leis a nos controlar. Diga que nossos rituais são celebrações à vida e que cada pessoa está no mundo para servir aos Deuses sendo feliz.

Diga, também, que você sabe que todas as Deusas são uma Deusa e que todos os Deuses são um Deus, no sentido de que nossas religiões só diferem no MODO pelo qual se comunicam com o Grande Mistério, e não no seu âmago. Não obstante, esclareça que seu modo de ver a vida é diferente e que é implícito a nossa religião compreender as religiões diferentes e aceitar a escolha de cada indivíduo como sagrada. Ressalte, também, que nossa religião nos proíbe de tentar converter os outros à wicca, que nunca tentamos fazer ninguém ser um bruxo também.

MAS não se surpreenda se essas pessoas já tiverem respostas prontas aos seus argumentos: se você disser que não crê que o diabo exista, talvez escute "A principal armadilha do diabo é fazer você acreditar que ele não existe" ou então "Essa Mãe Terra é só outro nome do Diabo". Não se impressione, muitas pessoas são tão doutrinadas a não conceber nada diferente de sua própria religião que se tornam cegas e surdas.

Quanto a essas, não insista. Simplesmente mostre a elas que você tem o direito de crer livremente em outra coisa diferente e não gaste seu tempo e o dele em discussões inúteis e cansativas. Ninguém vai mudar a idéia do outro.

Se a pessoa for muito empedernida, mas ainda aberta ao diálogo, ou seja, se ela disser algo como "Mas você não obedece a Bíblia?", responda: "Eu respeito a Bíblia como uma obra de história importante no desenvolvimento de muitas religiões, inclusive a sua, mas não sigo a mitologia cristã, e, portanto, a Bíblia não guia minha vida" e acrescente " Eu não creio na mitologia cristã como a maior parte da humanidade não crê". Por incrível que pareça, a grande maioria dos cristãos não sabe que sua crença não abarca a totalidade da humanidade, aliás, não é nem a maior religião em número de adeptos. Abrir os olhos dos cristãos dessa ignorância a que eles são levados por muitos de seus sacerdotes, explicando que o mundo é bem mais "não-cristão" do que eles imaginam, muitas vezes é uma boa chacoalhada nas pessoas e ajuda a acabar com preconceitos.

Nessa altura, de duas uma: ou a pessoa passará a ver sua religião como mais uma das muitas religiões do mundo, ou permanecerá em uma postura fanática de que tudo o que você faz "é obra do diabo". E aí, o que fazer?

A CHAVE PARA ENFRENTAR O PRECONCEITO

A chave para enfrentar o preconceito é, como sempre, a coragem de assumir as diferenças. E a coragem de assumir uma postura de vida realmente democrática, onde se aceite o conviver na diversidade. Isso é o modo de viver de um verdadeiro wiccaniano: respeitar e ser respeitado, em uma sociedade pluralista e livre, onde ele exerce, como qualquer outro, o direito à cidadania.

Respeito se conquista com educação das pessoas que nada sabem sobre nós, mesmo se esse for o trabalho de mais de uma geração. Também se conquista com a demonstração do que é a Wicca pelos nossa própria vida, com a harmonia tranqüila de quem realmente conhece os Deuses. Não precisamos convencer ninguém, mas a nossa visibilidade social é a única garantia de que os tempos da fogueira jamais voltarão.

São só alguns pensamentos acerca de tema tão amplo.

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